EDITORIAL

SOMOS MUITOS...
Uns como civis,
outros militares,
de todos os continentes
e cores, feitios,e ideologia
, de um lado ,de ambos, ou
do outro lado da barricada,
ou de nenhum dos lados...
Este é o espaço de todos os que
em algum tempo da sua vida comungaram passageiramente, ou enraizadamente do solo e cultura do ex-ultramar lusitano...
do brasil a timor, de macau à india...
Na crisa do sol e da chuva,
da lua e da brisa do mar,
comungamos todos esse olhar sem fim
de esperança na Humanidade...
DESERDADOS DA FORTUNA...
Refractários talvez...
DESERTORES? NUNCA !!!

digite uma palavra

toque

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Não ha lado certo da História porque ela é tudo e não partes

 

Retornados e Espoliados de Angola 1975

Memória | Descolonização

Entre 1974 e 1976, cerca de meio milhão de portugueses chegou a uma metrópole em revolução vindo de Angola. Vinham com uma mala de cartão, um filho ao colo e um nome que nunca pediram: “retornados”. Muitos, ainda hoje, preferem chamar-se espoliados — porque não voltaram, foram expulsos, e perderam tudo.

Não foi um regresso. Para a maioria dos que nasceram em Nova Lisboa, Sá da Bandeira ou Carmona, Portugal era um país estrangeiro. Aterrariam em Lisboa entre julho e novembro de 1975, no meio da maior ponte aérea civil da história, para encontrar um país sem casas, sem emprego e, muitas vezes, sem vontade de os receber.

Os números

Os números ainda são discutidos, mas as ordens de grandeza são consensuais. Do total de cerca de 500 a 600 mil pessoas que chegaram das ex-colónias entre 1974 e 1976, mais de 300 mil vieram apenas de Angola, a grande maioria em quatro meses de 1975.

A “ponte aérea” organizada pela TAP, com apoio da Força Aérea Portuguesa e de aviões fretados, realizou mais de 900 voos entre Luanda (aeroporto Craveiro Lopes) e Lisboa, entre julho e novembro de 1975. Só em setembro, desembarcaram em Lisboa mais de 4.000 pessoas por dia. Vinham com o bilhete oferecido pelo Estado, autorizado um máximo de 20 quilos de bagagem e 5.000 escudos no bolso — o resto ficava.

Eram brancos, mestiços e negros com cartão de cidadão português; eram madeirenses do café, transmontanos do comércio, angolanos de segunda geração, funcionários públicos, tropa e colonos pobres do mato. Todos couberam na mesma palavra redutora.

O Estado que acolheu

Portugal em 1975 não tinha Estado para acolher ninguém. Vivia o PREC, com saneamentos, ocupações, escassez e um governo provisório. Foi criado à pressa, em março de 1975, o IARN — Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais.

O IARN requisitou pensões, hotéis de Lisboa, Estoril e Porto, antigas casernas, seminários e até a Estância de Férias do INATEL. Famílias inteiras viveram meses em quartos de hotel com refeições de sopa e carapau. A integração foi feita sem indemnizações: o Estado português nunca reconheceu o direito à compensação pelos bens deixados em Angola, nacionalizados após a independência.

Foi nesse vazio que nasceu o estigma. Para parte da esquerda revolucionária, eram “colonialistas” e “pides”. Para a população, eram concorrentes na habitação e no emprego. A palavra “retornado” tornou-se um insulto durante anos.

Os jovens que ficaram

Nem todos embarcaram. Milhares de jovens, sobretudo filhos de colonos nascidos em Angola, recusaram sair. Não se sentiam portugueses de Portugal, sentiam-se angolanos. Quando a guerra civil rebentou entre MPLA, FNLA e UNITA, muitos pegaram em armas.

Alguns integraram-se nas milícias da FNLA no norte, outros seguiram Jonas Savimbi para o planalto central da UNITA, e outros ainda ficaram nas fazendas para defender o que era seu. Foram depois capturados, desapareceram ou acabariam por sair anos mais tarde pela Zâmbia ou Namíbia, já sem nada.

“Eu tinha 19 anos, nasci no Huambo e nunca tinha posto os pés em Portugal. Quando os meus pais entraram à força no avião da TAP em setembro, eu fiquei. Não era pelo MPLA nem por Portugal, era pela minha terra. Fui para a UNITA com outros miúdos como eu. Em Lisboa, anos depois, chamaram-me mercenário. Em Angola, sempre fui o ‘colono’. Fiquei sem os dois lados.”

— Testemunho de um jovem que permaneceu em Angola em 1975, recolhido pelo autor

Os barrados na ponte aérea

A ponte aérea não foi para todos. O critério oficial era a nacionalidade portuguesa, mas na prática funcionou uma triagem racial e social no aeroporto de Luanda. Embarcavam primeiro os “portugueses de origem europeia”.

Mulheres negras casadas com portugueses, filhos mestiços, assimilados com bilhete antigo e trabalhadores angolanos que tinham vivido toda a vida para famílias portuguesas foram barrados vezes sem conta. Muitas famílias foram separadas na fila. Foi preciso suborno, cunhas e gritaria para passar.

“No Craveiro Lopes estavam militares portugueses a mandar nas filas. Disseram-me alto: ‘O senhor é português, pode embarcar. A sua mulher e os meninos não’. A minha mulher era negra, de Malanje, casados há quinze anos. Os meus filhos, mestiços, com bilhete de Luanda. Tive de ficar três dias no aeroporto a implorar. Só embarcámos porque um vizinho da TAP nos meteu como ‘bagagem de porão’. Foi assim que viemos, como se fôssemos carga.”

— Testemunho de um retornado chegado à Portela em outubro de 1975

Estima-se que dezenas de milhares de angolanos com direito à nacionalidade tenham ficado para trás por discriminação na ponte aérea, muitos dos quais seriam perseguidos depois da independência.

Os estrangeiros de todos os lados

Em Angola, eram os “brancos de segunda”, os colonos. Em Portugal, passaram a ser os “angolanos”, os que falavam alto, os que abriram cafés e se deram bem depressa demais. Essa dupla estrangeiria marcou uma geração inteira.

Chamar-lhes “retornados” foi um erro histórico. A maior parte nunca tinha “tornado” a lugar algum. Eram espoliados: perderam casas, fazendas, fábricas, poupanças e cemitérios de família sem nunca receberem um escudo de indemnização do Estado português ou angolano.

Integraram-se, apesar de tudo, com uma velocidade notável. Em dez anos, deixaram o IARN, compraram casa, criaram empresas e mudaram a economia das periferias de Lisboa e do Norte. Mas levaram consigo uma memória que raramente foi ouvida: a de um despojo feito em nome da descolonização exemplar, mas que na prática foi caótica, improvisada e profundamente injusta para quem ficou no meio.


Cronologia 1974–1976

25 de Abril de 1974Revolução dos Cravos. O Programa do MFA prevê o direito à autodeterminação das colónias.
Julho 1974 – Janeiro 1975Éxodo silencioso. Primeiras saídas de Angola por medo, após o Acordo do Alvor. Cerca de 30 mil chegam a Lisboa até dezembro.
31 de Janeiro de 1975Acordo do Alvor. Independência de Angola marcada para 11 de novembro de 1975 com governo de transição MPLA/FNLA/UNITA.
Março – Julho 1975Guerra civil em Luanda. FNLA ataca, MPLA resiste com apoio cubano. Pânico generalizado entre a população branca e mestiça.
17 de Julho – 3 de Novembro 1975Ponte Aérea Luanda-Lisboa. Mais de 905 voos da TAP e FAP transportam cerca de 140.000 pessoas em 4 meses.
11 de Novembro de 1975Independência de Angola. O MPLA proclama a República Popular de Angola em Luanda. Últimos voos de emergência.
1976Encerramento gradual do IARN. Famílias ainda em hotéis são realojadas em bairros sociais como o da Quinta das Laranjeiras e Santo António dos Cavaleiros. Começa a longa batalha jurídica dos espoliados.

Este artigo foi escrito a partir de testemunhos orais, arquivos do IARN e documentação da Cruz Vermelha Portuguesa. Se a sua família viveu a ponte aérea de 1975, deixe o seu testemunho nos comentários. A memória dos retornados e espoliados é parte essencial da história recente de Portugal.

sexta-feira, 27 de março de 2026

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

domingo, 5 de maio de 2024

domingo, 17 de dezembro de 2023

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

 

"ARMA QUÍMICA"


Tenho a alma em farrapos
alguns acorrentados à escrita
"Saramagam-se Putinamente"


eu, choro por dentro e por fora..


Lembro a Maria da Fonte dos Combatentes
truncada num tanque soviético
na Cubanizada Angola
Mplalizada e Leninizada


O drama das "trouxas"
na Imagem do Aurelino
"retorno" cuspido
nos nossos rostos livres


Eu. choro por dentro e por fora


E nesta Liberdade conquistada em Novembro
Os cravos de abril são rosas de porcelana
num outono cândido e seco
velha Primavera de Praga repetida em Kiev


Eu Choro por dentro e por fora


Ucrânia Livre aqui e agora !


Renato Pereira PVZ 28-02-2022



quinta-feira, 18 de outubro de 2018

viver poeta


VIVER POETA

Não escrever.
Não dizer,
       sim, ser poeta
No dia a dia da vida
SER
POETA
Na poesia da vida, ser
poeta;
Luz, Sombra, Arte, Sangue
Suor, Obra, dum
poeta

Ninguém pode vender ou comprar
a Vida

A arte não é publicável ou negociável

O poeta não faz, não transforma,
não executa,
não muda, nem cria

O poeta permanece sempre poeta,
põe e não dispõe da poesia.
A noite, a lua, o sol, a chuva
a terra, o mar, a morte,
o podre
são
do poeta
a força
e
a
fraqueza.


Renato Gomes Pereira
Porto, 18-10-2018




quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Era uma vez um Principe…

img2

      Naqueles Tempos havia gente que trabalhava por gosto…Não importava se era remunerado ou não o seu trabalho…importava é que ficasse feito e servisse a Comunidade. Todos sendo Plebeus eram ao mesmo tempo Principes e Nobres. A Nobreza de caracter assim determinava esse seu “sangue azul”.

     Hoje estamos disseminados de “rafeiros politicos” sem pedegree no campo do carácter, podendo até ser filhos de algo (fidalgos) de uma fidalguia feita no Pós 25 de Abril, fruto da Cunha e do Poleiro … E uma burguesia crescente e nascente medrada ao sabor dos lobbies e atropelos legais  ou procedimentais…

     É assim hoje o Poder Local, Nacional, Internacional e quiça até Universal … Urge moralizar…Acabar de vez com esse apartheid racial e sexual que são as quotas para estes e para estas…

Competência …Precisa-se !

Era uma vez um Principe…

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      Naqueles Tempos havia gente que trabalhava por gosto…Não importava se era remunerado ou não o seu trabalho…importava é que ficasse feito e service a Comunidade. Todos sendo Plebeus eram ao mesmo tempo principes e nobres. A Nobreza de caracter assim determinava esse seu “sangue azul”.

     Hoje estamos disseminados de “rafeiros politicos” sem pedegree no campo do carácter, podendo até ser filhos de algo (fidalgos) de uma fidalguia feita no Pós 25 de Abril, fruto da Cunha e do Poleiro … E uma burguesia crescente e nascente medrada ao sabor dos lobbies e atropelos legais  ou procedimentais…

     É assim hoje o Poder Local, Nacional, Internacional e quiça até Universal … Urge moralizar…Acabar de vez com esse apartheid racial e sexual que são as quotas para estes e para estas…

Competência …Precisa-se !

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

ARGIVAI-ONLINE: OS ZAROLHOS E OS DEPUTADOS

ARGIVAI-ONLINE: OS ZAROLHOS E OS DEPUTADOS: QUAL PEC E QUAL TSU … BAIXEM É OS PREÇOS   Basta Baixar  dez euros no preço do gaz de garrafa, ou no preço da água, da luz, ou dos géner...

terça-feira, 26 de julho de 2016

ARGIVAI-ONLINE: IDOLATRIA

ARGIVAI-ONLINE: IDOLATRIA: LIVRO DA SABEDORIA 14 .15 Consequencias da Idolatria 22 – Como se não bastasse terem errado acerca do conhecimento de Deus, embora passa...

sexta-feira, 17 de junho de 2016

ARGIVAI-ONLINE: BATATA NOVA – 20KG a 15 € (quinze euros)

ARGIVAI-ONLINE: BATATA NOVA – 20KG a 15 € (quinze euros):                    Andamos a pesquisar varios vendedores…       os preços oscilaram entre os 10,00€ e os 15,00€        por um saco de b...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

ARGIVAI-ONLINE: FIESTA–REDs and BLUEs

ARGIVAI-ONLINE: FIESTA–REDs and BLUEs

LIVRE USO LUDICO-EDUCACIONALhttp://www.club-k-angola.comhttp://cafico.spaces.live.com

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

MURCÕES, LORPAS E TRENGOS

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Os Murcões …são gaijos muita espertos

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Os Lorpas…nem por Isso

 

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Os Trengos… pagam as favas

murk002  E TU Não passas de um

BROKO…

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domingo, 8 de novembro de 2015

A CRISE

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A CRISE é uma coisa fabricada !

A crise é uma invenção dos ricos.

A crise visa retirar poder de compra aos pobres.

A crise serve para os patrões pagarem menos aso trabalhadores.

A crise é o pântano onde os ricos escondemos seus tesouros.

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Sem crise os ricos definham.

Sem crise os pobres desaparecem

Sem crise não há fome…

Sem crise não há guerra…

Sem crise há desenvolvimento.

Sem crise há crescimento.

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A Crise é filha do Capital e da Finança.

…………………………………………………………………..

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O CANDIDATO V4– 1-VALOR, 2-VIGOR ,3-VERDADE, 4- VALIDADE

 

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O CANDIDATO a ser indigitado PRIMEIRO MINISTRO DE PORTUGAL, necessita de preencher os quatro requisitos

Ter Valor, Ser Válido, Ser Verdadeiro, e possuir Vigor… Claro está que Passos Coelho não tem neste momento essas características

e talvez nunca as tenha tido… De igual Modo se pode falar de Paulo Portas… O Cidadão que Cavaco Silva deverá indigitar

Tanto pode vir das fileiras do PSD, como das fileiras de qualquer outro partido…

Não pode é ser nenhum daqueles que estiveram no Governo anterior…

Porque o eleitorado rejeitou com maioria absoluta  a solução PAF que representa a continuidade do governo anterior…

Todas as soluções são possíveis menos “OS MESMOS”…

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

segunda-feira, 27 de julho de 2015

sábado, 4 de abril de 2015

O TRONO

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O TRONO

            Quando se escolhe alguém em sufrágio universal ou secreto e particular, há sempre algo que se perde e algo que se recebe. Muitas vezes recebe-se traição, ingratidão, sofrimento, dor , e incompreensão, outras liberdade, respeito, fidelidade,carinho, ternura, gratidão, alegria e felicidade…

           O Trono é a representação pictórica daquilo que temos de mais sagrado na vida comunitária. Delegar poderes e funções, respeitar o próximo, confiar nos outros a rex pública… Dar poder a alguém para que trate de algo que é de todos ou de cada um.

         Aproxima-se um período de eleições onde seremos todos chamados a escolher quem vai por um certo tempo ser o nosso elemento que vai sentar no Trono. Há eleições para a Assembleia da República, de onde resultará a escolha e indigitação do Primeiro Ministro que será feita pelo Presidente da República que vai cessar funções. E vai haver eleições para um Novo Presidente da República … Significa que à parte a escolha para Primeiro Ministro que será feita por quem já está sem legitimidade política para tal , os demais serão indubitavelmente representantes legítimos do Povo, que poderão ou não trair o seu eleitorado e fazer a sua desgraça ou a sua felicidade.